terça-feira, 17 de março de 2009



QUEM EDUCA? Sara Maria 17/03/2009





Até há umas três décadas,poderíamos afirmar que os pais eram os pilares da educação dos filhos.
Diríamos que os exemplos dos pais se refletiam nos filhos, que se uma criança era atenciosa com os mais velhos, se não respondia mal aos professores, se estudava como devia,se era saudável,enfim,se portava-se como uma criança,afirmávamos que os pais souberam dar a ela uma boa educação.
No entanto, de uns tempos para cá, podemos observar que os filhos, mesmo vendo os bons exemplos dos pais, não se mostram educados.
Observando alunos adolescentes, crianças e os jovens de um modo geral, percebemos que a influência da família não está mais sendo suficiente para a formação do caráter do indivíduo.
Vimos certa vez, uma criança de três anos, olhando fixamente para uma cena de paixão na TV,ela nem piscava,estava paralisada olhando tudo atônita.
De outra vez, esta criança teve a mesma reação quando passava na TV, durante a tarde, uma cena de violência na rua,em que bandidos trocavam tiros com policiais.
A criança estava literalmente petrificada, não tirava os olhos da tela e a sensação que tivemos foi a de que ela de certa forma estava vivendo aquele horror,sem ter condições de separar o real do virtual.
A estrutura cerebral de uma criança naquela idade, ainda não possui conexões sinápticas para distinguir o real e o virtual.
Pensamos: O que será que está se processando em sua cabecinha naquele momento,quais as ligações que seu cérebro estará fazendo e quais serão as repercussões para o futuro em sua vida?
Com certeza que estas cenas de sexo e de violência,despertaram em seu ser emoções atávicas de medo ,de dúvida,de sensualidade,de desafio,de vida,de morte,emoções milenares que o ser humano traz em seus arquivos ontológicos.
O que vemos “educando” nossas crianças e adolescentes através dos meios de comunicação, são também os comerciais que estão cada dia mais mexendo com as emoções de poder,de ambição,de desejos das crianças.
Boa parte dos comerciais são direcionados às crianças e aos adolescentes, pois através deles,a indústria vende para os pais,que por sua vez compram para minimizar um pouco a culpa que sentem por não poderem ou não quererem ter o trabalho de dialogar e ouvir os filhos.
O resultado desta ênfase ao consumismo,a violência e a sensualidade,são cérebros infantis confusos entre o real e o virtual,seres que não se satisfazem com coisa alguma,que estão esperando sempre mais alguma coisa dos pais,são seres exigentes,sem limites,sem regras e sem princípios.
São crianças e adolescentes infelizes, que estão deixando pais e professores atônitos,sem saber como agir e o pior,recebendo muita cobrança da sociedade de que não sabem educar.
No entanto, quem educa atualmente e principalmente, são todos os tipos de meios de comunicação,como rádios,TVs,internet,vídeo games onde são veiculadas a violência ao extremo,a perversão sexual as raias da loucura,a ambição desmedida e ao final de tudo,está embutido nestas mensagens,a desesperança,a falta de objetivos e de perspectivas, assustadores.
Neste quadro atual, você vê algum caminho possível para reverter ou minimizar esta situação?

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