segunda-feira, 15 de junho de 2009


OLHAR COM OLHOS DE VER (11-06-09)
Sara Maria


Eu olho com olhos de ver,quando consigo enxergar além da superfície,quando mergulho no profundo do Eu,sem escafandro,sem máscaras,olhando-me sinceramente e olhando as pessoas,as situações e as coisas em sua essência.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar na linha do horizonte,não só o final do mar e o início do céu,mas a capacidade de enxergar muito além.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar no céu azul límpido,com nuvens claras como algodão,ou até mesmo pesadas,cinzentas,que os meus sentimentos podem ser tão ou até maiores que a imensidão do céu e que eles podem se transformar como se transformam o formato das nuvens.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar nas montanhas imensas,não só a sua vegetação luxuriante,mas que as pessoas são tão diversas do que os inúmeros aspectos que podemos ver numa montanha.
Eu olhos com olhos de ver, quando consigo enxergar nas águas constantemente se renovando de uma queda d’água,a força que todos nós temos de deixar passar,ir, as coisas em nossa vida e mesmo assim termos capacidade de continuar fluindo,fluindo...
Eu olhos com olhos de ver, quando consigo enxergar no fundo do olhos de alguém,a sinceridade,a emoção,a tristeza,a alegria,o sofrimento... e amá-la por causa ou apesar disso.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar num abraço, o elo que estava precisando para unir a minha vida à VIDA.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar lá,quilômetros distante,bem dentro de mim nessa imensidão infinita e ver que neste espaço tão longínquo,sou Eu,Eu existo e estou ali.
Eu olhos com olhos de ver, quando consigo enxergar que estou buscando, sempre buscando entender o porquê do mundo e sempre me extasiando com isto.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar meus alunos adolescentes, tão perdidos em seus achados,como se fossem viajantes num deserto que não percebem onde estão,o que estão fazendo nele e nem para onde se dirigem.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar que existem milhões de pessoas no mundo abaixo da linha da miséria e que mesmo assim sobrevivem,e que são pessoas como eu em busca e em luta constante.
Eu olho com olhos de ver, quando consigo enxergar a VIDA no fundo dos olhinhos brilhantes de meu netinho,quando diz espontaneamente para mim,entre admirado e perquiridor:-“Vó, você sabe todas as palavras!¿Você sabe porque é” pofessola”!

terça-feira, 17 de março de 2009



QUEM EDUCA? Sara Maria 17/03/2009





Até há umas três décadas,poderíamos afirmar que os pais eram os pilares da educação dos filhos.
Diríamos que os exemplos dos pais se refletiam nos filhos, que se uma criança era atenciosa com os mais velhos, se não respondia mal aos professores, se estudava como devia,se era saudável,enfim,se portava-se como uma criança,afirmávamos que os pais souberam dar a ela uma boa educação.
No entanto, de uns tempos para cá, podemos observar que os filhos, mesmo vendo os bons exemplos dos pais, não se mostram educados.
Observando alunos adolescentes, crianças e os jovens de um modo geral, percebemos que a influência da família não está mais sendo suficiente para a formação do caráter do indivíduo.
Vimos certa vez, uma criança de três anos, olhando fixamente para uma cena de paixão na TV,ela nem piscava,estava paralisada olhando tudo atônita.
De outra vez, esta criança teve a mesma reação quando passava na TV, durante a tarde, uma cena de violência na rua,em que bandidos trocavam tiros com policiais.
A criança estava literalmente petrificada, não tirava os olhos da tela e a sensação que tivemos foi a de que ela de certa forma estava vivendo aquele horror,sem ter condições de separar o real do virtual.
A estrutura cerebral de uma criança naquela idade, ainda não possui conexões sinápticas para distinguir o real e o virtual.
Pensamos: O que será que está se processando em sua cabecinha naquele momento,quais as ligações que seu cérebro estará fazendo e quais serão as repercussões para o futuro em sua vida?
Com certeza que estas cenas de sexo e de violência,despertaram em seu ser emoções atávicas de medo ,de dúvida,de sensualidade,de desafio,de vida,de morte,emoções milenares que o ser humano traz em seus arquivos ontológicos.
O que vemos “educando” nossas crianças e adolescentes através dos meios de comunicação, são também os comerciais que estão cada dia mais mexendo com as emoções de poder,de ambição,de desejos das crianças.
Boa parte dos comerciais são direcionados às crianças e aos adolescentes, pois através deles,a indústria vende para os pais,que por sua vez compram para minimizar um pouco a culpa que sentem por não poderem ou não quererem ter o trabalho de dialogar e ouvir os filhos.
O resultado desta ênfase ao consumismo,a violência e a sensualidade,são cérebros infantis confusos entre o real e o virtual,seres que não se satisfazem com coisa alguma,que estão esperando sempre mais alguma coisa dos pais,são seres exigentes,sem limites,sem regras e sem princípios.
São crianças e adolescentes infelizes, que estão deixando pais e professores atônitos,sem saber como agir e o pior,recebendo muita cobrança da sociedade de que não sabem educar.
No entanto, quem educa atualmente e principalmente, são todos os tipos de meios de comunicação,como rádios,TVs,internet,vídeo games onde são veiculadas a violência ao extremo,a perversão sexual as raias da loucura,a ambição desmedida e ao final de tudo,está embutido nestas mensagens,a desesperança,a falta de objetivos e de perspectivas, assustadores.
Neste quadro atual, você vê algum caminho possível para reverter ou minimizar esta situação?

domingo, 8 de fevereiro de 2009


EU NÃO POSSO ACREDITAR
Sara Maria(ago/92)

Que a honra seja em vão
Que a honestidade e a lealdade
Não sejam nada
Que o trabalho seja desperdício
Que os nobres ideais
Não levem a lugar nenhum
Eu não quero acreditar
Que a desonestidade traga felicidade
Que a desonra traga alegria
Que a deslealdade seja ovacionada
Que o ódio seja o vencedor
Que os sem metas
Sejam os que chegam em algum lugar.
E o Amor,o Carinho a Ternura...
Onde se esconderam?
Sufoco...seco...sem eles...
E a amizade?Existe...Existiu?
Agora parece que não existe.